Quando a narrativa é sobre o seu cliente.

Quando a narrativa é sobre o seu cliente e não sobre a sua empresa, você está construindo uma ThunderBrand (marca forte).

Você já conversou com alguém que só fala de si mesmo né? É muito chato! (Rs)
As marcas durante muito tempo detiveram o monopólio da comunicação e por isso se habituaram a só falar de si mesmas. Porque a comunicação (pré-internet) era um discurso de via única, já que em uma mídia tradicional não há espaço para diálogo e só a empresa anunciante fala. Por isso, poucas empresas se preocupavam em desenvolver um discurso voltado para o cliente. O dinheiro bem gasto era aquele utilizado pra entregar os benefícios e atributos dos produtos anunciados e só!

Apple e Harley foram algumas das marcas que começaram a perceber que existia uma narrativa mais poderosa do que focar em atributos, e que essa narrativa poderia ser construída de forma diferente. Em sua explicação para o Golden Circle, Simon Sinek usa o exemplo dessa narrativa para mostrar como a Apple é diferente das outras marcas ao construir seu discurso:

O que ele defende aqui é que devemos começar pelo propósito porque isso engaja.

O que nós defendemos é que além do engajamento vindo do propósito, o discurso é poderoso porque fala sobre o cliente. As pessoas se identificam com uma série de atributos relacionados a consumir Apple: Ser disruptivo, criativo, querer mudar o mundo e principalmente. Gostar de contar para todo mundo que ele é assim!

Você com certeza já viu memes sobre pessoas que são veganas ou fazem crossfit porque elas entregam essa informação sobre si mesmas independe do contexto. Por que elas fazem isso!? Porque ser vegano diz MUITO sobre você e sobre a sua personalidade. Fazer crossfit diz muito sobre você e a sua personalidade. Assim como comprar um iPhone 10, 11, 12, 15, 25… diz muito sobre sua personalidade.

O curioso é que o mesmo não acontece com outras todas as marcas. A verdade é que só as marcas que entregam uma ideia sobre o próprio cliente conseguem agregam “capital social”. Isso é muito perceptível em empresa que vende produtos de luxo onde esse capital está em ostentar uma condição financeira privilegiada. Então, utilizar produtos caros, freqüentar restaurantes exclusivos, ter carros raros, tudo isso faz com que haja a entrega de uma mensagem sobre aquela pessoa. Esse status ao consumir um produto foi, durante a recente história das marcas, o mais óbvio e mais fácil de identificar.

O Exemplo da Harley é tão utilizado porque o “capital social” ali não é financeiro, quer dizer, não é só financeiro! Ele é sobre ser temido, respeitado, sobre ser parte de um grupo de pessoas com valores sólidos. Assim como a Natura entrega a consciência ambiental/social e a NuBank uma nova relação com sistema financeiro.

Nós defendemos a construção de um discurso sobre o cliente porque essa é a melhor arma contra a briga por preço. A gente só se descola dessa disputa Preço x Qualidade quando existe algum outro valor na compra de determinado produto, esse valor está no “Capital social” atribuído à sua marca. Esse valor está em construir uma mensagem sua que é compartilhada pelo cliente como se fosse dele mesmo.

Ninguém faz nada de graça, e ninguém defende marcas ou ideologia de graça, nós fazemos isso quando é conveniente e nos tempos de hoje, de super exposição e luta por um discurso identitário singular, as marcas que representam ideias são mais valorizadas porque ajudam seus consumidores a contar histórias sobre si mesmos e ganhar capital social.

Isso funciona tanto que um discurso que aparentemente não serviria para o B2B é a base do nosso ThunderBrand. Criamos esse termo porque existe um jeito de ser, de fazer gestão, de se colocar dentro da empresa, que facilita a construção de uma marca forte e que empolga todos que fazem parte dessa construção. E as pessoas que são e querem ser assim vão se identificar, defender e fazer questão de dar vazão ao nosso propósito de ter e despertar brilho nos olhos.

Então, meu amigo, quando você for pensar em qualquer interação com a sua marca, pense no seguinte:
– Eu estou falando sobre meu produto ou estou construindo “capital social” para o meu cliente?

Se você estiver falando só sobre seu produto, repense a comunicação e parta do ganho que a sua solução proporciona para a identidade do cliente. A chance de você criar uma ThunderBrand é muito maior.